REGRAS PARA PESCAR & SOLTAR - CATCH AND RELEASE (PARTE 2)






TEXTO: Equipe Pescarte (http://www.pescarte.com.br)

CATCH AND RELEASE, conforme a expressão em inglês "pegar & libertar", é a forma de pescar que se converteu numa prática cada vez mais popular, tendo como objetivo principal salvaguardar a vida de muitas espécies de peixes. Sabemos que a diminuição - ou desaparecimento - dos cardumes é, hoje em dia, um grande problema - um problema que resulta não somente da ação dos pescadores, mas também da contaminação, do desmatamento e de outras desgraças causadas pela nossa "civilização".

Para praticar esta forma de pescar é muito importante que ela seja realizada da forma correta. Objetivamente falando, devemos aceitar o fato de que ao capturar um peixe com um anzol produzimos um dano de maior ou menor gravidade na parte interior ou exterior do seu corpo e, em que pesem as opiniões de que os peixes sentem dor igual aos demais organismos "superiores", produzimos também um trauma e um forte stress.

A gravidade da ferida ou das feridas que um peixe sofrerá depende de vários fatores:
- a profundidade sobre o aparelho digestivo, decorrente da fincada do anzol
- o local e a profundidade da fincada do anzol
- o tamanho, forma e tipo de anzol
- o tempo de duração do embate ou luta
- a forma de tirar o peixe fora d'água e o seu manuseio
- o tempo que o peixe permanece fora d'água
- a forma de extração do anzol
- a forma de reintrodução do peixe na água
- a temperatura da água

Explicaremos brevemente a influência de cada um desses fatores e, depois, faremos algumas recomendações para uma prática positiva de captura e soltura.


PROFUNDIDADE DA FISGADA
Todos os pescadores sabem que o anzol pode penetrar mais ou menos no canal digestivo da presa: quanto mais profundo for o lugar da fisgada, mais difícil será a extração do anzol e maiores os danos - isto porque os órgãos vitais podem ser atingidos.
A técnica empregada também influi na profundidade da fisgada. Por exemplo, a pesca com anzóis que se arrastam ou se movem, como a mosca, corricos e outros, quase sempre produzem fisgadas perto do beiço do peixe, sendo que as técnicas mais passivas, como a pesca de fundo com iscas naturais produzem, como regra geral, fisgadas mais fundas.
Os pescadores que conhecem várias modalidades de pesca seguramente já observaram esse fato e talvez tenham perguntado sobre os porquês. Uma resposta possível é que quando o anzol está em movimento peixe, depois de sugar a isca, fecha as mandíbulas imediatamente quando sente que a sua presa está dentro da sua boca e considerando o movimento paralelo do anzol, este engata na boca ou muito perto dela.
Lembramos também que as técnicas ativas podem fazer uso de anzóis com as farpas amassadas, permitindo uma penetração mais rápida. Por outro lado, quando o anzol está estático, o peixe fecha a boca e inicia a deglutição - o anzol então inicia a sua viagem até o estomago antes que possa engatar na parte "exterior" do peixe. Sempre é interessante lembrar que nas técnicas estáticas de pesca o anzol é total ou parcialmente coberto com diferentes tipos de iscas naturais, o que recobre a sua ponta (a consistência deste tipo de isca impede uma rápida exposição da ponta do anzol para uma rápida penetração).


A INFLUÊNCIA DO ANZOL
O tamanho do anzol, o seu formato e o perfil da estão também relacionados à gravidade do dano causado ao peixe. Um anzol muito grande produzirá uma ferida mais severa do que a causada por um anzol pequeno, a menos que o anzol atravesse uma região não-vital, como o beiço inferior.
Se a farpa estiver muito aberta, no momento de extrair o anzol ela produzirá ferimentos que poderão infectar ou sangrar o peixe (sem contar que serão agredidos por outros peixes que perceberão essa ferida).
Os anzóis duplos (garatéias) são mais difíceis de extrair sem produzir ferimentos. Em muitos peixes, a truta em especial, o coração fica muito perto da garganta, tornando mais fácil uma fisgada com um forte sangramento.


TEMPO DO EMBATE
Muitos pescadores não tiram o peixe da água até que estes estejam completamente extenuados e, em certos casos, até que estejam mortos.
É sabido que o stress sofrido durante a briga resulta na produção de grandes quantidades de ácido láctico, substância que "envenena" os músculos e o sangue, provocando enfartes quase sempre fatais aos peixes, fazendo-os morrer mais cedo.


FORMA DE RETIRAR O PEIXE DA ÁGUA
No mais das vezes, o pescador utiliza uma rede (passaguá) para tirar o peixe da água, entretanto usando uma técnica inadequada. É importante lembrar que a textura da rede em si mesma produz lacerações e feridas na pele do peixe.
O emprego de ganchos ou fisgas, arpões e outros artefatos causam ferimentos no peixe - as razões são óbvias e não vamos descrevê-las aqui.


TEMPO DO PEIXE FORA DA ÁGUA
É importante dizer que um peixe fora da água por um tempo prolongado pode levá-lo à morte.
Como sabemos, a falta de oxigênio causa (em qualquer criatura que o utilize para viver) danos cerebrais de maior ou menor grau, aumentando os riscos para a sua sobrevivência.


EXTRAÇÃO DO ANZOL
Para retirar um anzol, utilizamos diferentes ferramentas - qualquer uma delas produz feridas, sobretudo quando utilizadas de maneira brusca.
Muitos costumam utilizar um pano para manejar o peixe durante a operação de retirada do anzol, mas esse procedimento pode eliminar parte da película lubrificante que o protege.
Pior são aqueles pescadores que prendem os peixes numa fieira, passando-lhe um fio pela boca.


TEMPERATURA DA ÁGUA
Conforme sobe a temperatura da água, o nível de concentração de oxigênio dissolvido diminui. Nestas condições, os peixes, ao serem capturados, praticamente se asfixiam durante a briga e, resultante do stress causado, podem morrer de imediato, independentemente das técnicas de soltura adotadas.


RECOMENDAÇÕES
Descritas as ações negativas quando da captura de um peixe, agora devemos propor soluções a cada uma delas com o objetivo de manter o peixe vivo e aumentar as suas possibilidades de sobrevivência.
- Pesque com iscas artificiais (baitcasting ou fly) - lembre-se que a pesca com iscas naturais simplesmente não são recomendáveis para a prática do catch & release;
- Use anzóis de qualidade, perfeitamente amolados e, de preferência, sem farpas. Quando você capturar um peixe e a fisgada for funda, corte a haste e deixe o anzol no peixe. Os estudos mostram que as probabilidades de sobrevivência são maiores quando cortamos o anzol ao invés de retirá-lo;
- Procure comprar um passaguá com malhas finas, feito de material macio (algodão) para evitar ferimentos na epiderme dos peixes;
- Segure delicadamente o peixe dentro da água e retire o anzol com a mão. Não toque nas guelras, não o arraste bruscamente, principalmente se houver pedras ou areia seca;
- Encurte ao máximo o tempo da peleja de modo que o peixe não atinja o completo esgotamento ;
- Mantenha o peixe dentro da água durante o processo de extração do anzol, evitando envolvê-lo em panos ou trapos;
- Não mantenha o peixe fora da água por mais de 60 segundos. Para soltar, coloque-o na posição natural e mantenha-o com o corpo inteiro da água até que se recupere e possa nadar por si mesmo. Caso você observe sangramento pelas guelras, é melhor matá-lo e usá-lo para consumo.
- Caso utilize alguma ferramenta para a retirada do anzol, use-a gentilmente para minimizar os ferimentos;
- Evite pescar quando a temperatura da água for superior a 23º. As razões estão descritas acima. Caso venha a fazê-lo, cumpra com maior rigor ainda todos os conselhos aqui fornecidos.

Para proteger e conservar as espécies aquáticas e poder prosseguir praticando a pesca, esporte que tanto nos apaixona, o melhor é ajudar na conservação de todas as regiões pesqueiras, observando uma conduta positiva e respeitosa frente à Natureza. Os peixes agradecem e quem sabe no futuro um filho seu venha a agradecer também!

ESTUDE MAIS SOBRE O ASSUNTO NOS SITES:
http://www.pesquesolte.com.br/
http://www.catchandreleasefound.org/
http://www.nativefish.asn.au/cr.html




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